12 de dez. de 2007

DOC: Perfil PDA SAMPA SUL

Perfil PDA SAMPA SUL (1)

  1. Programa
    1. PDA Sampa Sul (BRA-183476 – Oficina de Suporte: WV Austrália)

  1. Cobertura Geográfica

BRASIL ® São Pablo ® Ciudad Sao Pablo ® Barrio Capao Redondo

  1. Población dentro del área del programa según la edad (<> 18 años)
    1. Ciudad Sao Pablo: 10 millones
    2. Grand Sao Pablo: 18 millones
    3. Comparativo de población da ciudad e de el barrio en relación el edad

Población

Sao Pablo

Capão Redondo

Menores de 18 años

1.709.000

55.242

Mayores de 18 años

1.460.000

31.198








NR (Registro Niños y Niñas) proyección


AF/09

AF/10

AF/11

AF/12

AF/13

Total

WV AUS

500

500

500

500

500

2500

WV BRA

--

500

500

500

500

2000

Total (proyectado)

4500

  1. Ciclo LEAP en que se encuentra el programa
    1. Fase de Semilla

AF/2007: Diagnostico - AF/2008; Diseño

  1. Las Fuentes de financiamiento
    1. Fondos Visión Mundial
    2. Fondos Privados
    3. Fondos Públicos
    4. Fondos Comunitarios

  1. El Pressuposto total
    1. Presupuesto (proyección) Patrocinio Internacional: USD 500.000.00
    2. Presupuesto (proyección) Patrocinio Internacional: (no hay proyección)
    3. Presupuesto Privado: (no hay proyección)
    4. Presupuesto Comunidad: (no hay proyección)

  1. Fecha de Inicio y la fecha de cierre proyetada

Inicio: AF/2007 - Cierre: AF/2017

  1. Condición : Urbana

  1. Tabla Organizativa del personal (los socios claves con los cuales trabaja)

OBC: Organizaciones de Bases Comunitarias

OG´s: Organizaciones gobernamentales

ONG´s Organizaciones no gobernamentales

OBF´S Organizaciones baseadas en fé

GObiernos

(1) O presente perfil foi apresentado por ocasião do encontro do Front-Line na Colombia, 27 a 29 de Novembro 2007. O presente perfil estava acompanhado da idéia do Organograma de Funcionamento do PDA com as Dimensões do Programas, Projetos, Organização, Política, Abrangência e Envolvimento Comunitário.

DOC: DIAGNÓSTICO Capão Redondo (Resumo)

RELATÓRIO DE DIAGNÓSTICO

CAPÃO REDONDO - SÃO PAULO

Elaborado em Setembro de 2007
Revisado em Janeiro de 2008


1. RESUMO EXECUTIVO

Programa/Projeto:
Sampa Sul ADP, Program # 02400
Fase do programa:
Diagnóstico: outubro 2006 a setembro 2007
Propósito do diagnóstico:
O objetivo deste diagnóstico foi levantar informações e dados sobre o bairro do Capão Redondo, na cidade de São Paulo, onde a Visão Mundial pretende estabelecer um PDA, e analisar estas informações, de maneira a obter insumos para desenhar um Programa de Desenvolvimento de Área para parte do bairro.
Datas de inicio e fim de diagnóstico:
Início: outubro de 2006
Fin: setembro de 2007
Data esperada inicio processo de desenho:
Outubro de 2007

A metodologia utilizada neste diagnóstico foi baseada na abordagem LEAP, que fornece uma estrutura para os processos de desenho, monitoramento e avaliação dos projetos e programas apoiados pela Visão Mundial no mundo. A análise situacional foi baseada na metodologia de Meios de Vida, que classifica os dados a serem coletados em cinco “capitais”, a saber: físicos, naturais, humanos, sociais e financeiros. A coleta de dados secundária foi feita através de revisão da literatura e acesso a banco de dados estatísticos, e a coleta de dados primária foi realizada através de entrevistas e grupos focais com moradores do bairro bem como com lideranças locais e poder público.
Algumas limitações ou dificuldades encontradas no processo de diagnóstico se relacionam ao fato do bairro escolhido para a implementação do PDA ser um bairro bastante populoso e grande em área. Assim, o diagnóstico focou-se em procurar traçar as características peculiares a este bairro, sendo que a fase de desenho irá aprofundar as características da área específica dentro do bairro na qual a Visão Mundial decidirá implementar o programa de desenvolvimento de área. Outra dificuldade relaciona-se ao fato das metodologias e das estruturas que direcionam os processos de diagnóstico da Visão Mundial se encontrarem em constante mudança. Assim, foi necessário nos adequar a novos procedimentos e estruturas durante o processo de diagnóstico.
Os dados levantados neste diagnóstico colocaram em evidência a pobreza e disparidade sócio-econômica do bairro do Capão Redondo, em relação aos outros bairros de São Paulo, pobreza que afeta de maneira mais forte as crianças e jovens do bairro, maioria populacional. Os dados apontaram também para um bairro onde a qualidade ambiental urbana é deficiente, uma vez que existem grandes áreas do bairro que são favelizadas e não contam com coleta de lixo nem esgotamento sanitário, e cujo acesso à água de boa qualidade também é precário. A qualidade da educação e saúde públicas e das moradias não são adequadas, o que, somado ao fato da facilidade do acesso à drogas e a convivência com um ambiente de violência urbana e ocorrência de crimes, afetam especialmente a população jovem do bairro. Além disso, existe uma alta taxa de gravidez na adolescência e alta taxa de mortalidade por agressão entre os jovens do sexo masculino. Também verificou-se que as infra-estruturas de saneamento, educação e saúde são insuficientes para atender a população. O nível educacional e de qualificação profissional é bastante baixo no bairro, o que, ao lado de um mercado de trabalho restritivo, torna a inserção dos moradores no mercado de trabalho algo extremamente frágil, e consequentemente, a renda familiar também bastante baixa.
Contudo, alguns fatores positivos, como a existência de CBOs na área e a existente articulação entre as mesmas, bem como a disponibilidade e abertura para um trabalho conjunto com a Visão Mundial, aponta para uma possibilidade de um trabalho bem sucedido na região.
As recomendações geradas a partir deste processo de diagnóstico são:
- Ações como conscientização sobre planejamento familiar, gravidez na adolescência, sobre álcool e drogas, bem como abordagens culturais, de construção da paz e de apoio à profissionalização dos jovens poderão contribuir para a melhoria de vida deste público que é mais vulnerável.
- Deve-se encontrar formas adequadas de aumentar o ingresso de recursos financeiros entre as famílias da região. Isso poderia incluir maneiras de fomentar as pequenas iniciativas locais, bem como a sua comercialização.
- Recomenda-se que o PDA possa encontrar maneiras de conscientizar e estimular as empresas e também indivíduos dos bairros vizinhos e mais ricos a contribuírem para a diminuição da desigualdade e da violência urbana na cidade de São Paulo, ao apoiarem os projetos e programas sociais no bairro do Capão. Isso pode incluir desde apoio financeiro, até facilitação de acesso a mercado, apoio na formação e qualificação profissional dos moradores do bairro, entre outros.
- Recomenda-se também que haja grande investimento no fortalecimento institucional das organizações locais e que o programa fomente o trabalho integrado entre os fóruns locais. Acreditamos que este fortalecimento e o trabalho conjunto e a articulação entre as organizações e fóruns locais seja imprescindível para o sucesso do PDA.
- O programa deve investir em ações de empoderamento à população do bairro e de advocacy, apoiando a comunidade a reivindicar junto ao poder público os seus direitos, como saneamento, melhores moradias, escolas de educação infantil e creches, e um maior número de leitos de hospital.
- O critério para a escolha da área onde o PDA irá trabalhar dentro do bairro do Capão Redondo seguirá dois padrões. Um relacionado à ações de impacto político, que deverá atingir todo o bairro, já que serão ações de advocacy. Esta área será determinada a partir da escolha das organizações parceiras e da inserção do PDA nos fóruns de articulação política e de advocacy. Um outro padrão de escolha da área de atuação do PDA está relacionado às micro-ações do programa, que afetam diretamente as crianças apadrinhadas e suas famílias. Esta escolha seguirá pelo menos um dos seguintes critérios: famílias que vivem nos locais mais pobres do bairro, onde vivem um número grande de pessoas em pequenas casas; casas onde haja analfabetos ou alfabetizados funcionais; casas onde o responsável não trabalhe ou tenha rendimentos abaixo de R$ 538,00; casas onde o responsável seja mais jovem; casas onde haja mais crianças.

2. PROCESSO DE DIAGNÓSTICO E METODOLOGIA

Tentaremos traçar um panorama geral da realidade do bairro do Capão Redondo, situado no distrito de Campo Limpo, na zona Sul do município de São Paulo, de modo a garantir o norteamento inicial da equipe da Visão Mundial quanto a formas de intervenção na região que sejam adequadas à realidade local.

O processo de diagnóstico foi conduzido entre os meses de outubro de 2006 e agosto de 2007. A equipe que participou do processo de diagnóstico:
- Raniere Pontes: gerente da UOPE São Paulo
- Fabiana Xavier: assessora de finanças e patrocínio da UOPE São Paulo
- Carolina Prado: assessora de IAQ
- Consultores externos: Daniel Pícaro e César Calonio

A metodologia utilizada neste diagnóstico foi baseada na abordagem LEAP (seguida pela confraternidade da Visão Mundial Internacional), que fornece uma estrutura para os processos de (DMA) desenho, monitoramento e avaliação dos projetos e programas apoiados pela Visão Mundial no mundo. Também foi baseada na metodologia de Meios de Vida, que classifica os dados a serem coletados em cinco “capitais”, chamados de dimensões: físicos, naturais, humanos, sociais e financeiros:
a) Dimensão Natural: recursos naturais que propiciam os meios de vida. (acesso a terra, à água, qualidade do ar, etc.)
b) Dimensão Física: Infra-estrutura básica e bens de produção necessários para apoiar os meios de vida (transporte, moradia segura, instalação de água e esgoto, energia, acesso à informação).
c) Dimensão Humana: Conhecimento, habilidades, capacidade de trabalho e saúde que permitem às pessoas buscar diferentes estratégias de vida.
d) Dimensão Social: São os recursos sociais utilizados pelas pessoas para alcançar seu objetivo no que se refere aos meios de vida, por meio de redes e conexões, filiação a grupos organizados, assim como através de relações de confiança, intercâmbio e troca.
e) Dimensão Financeira: Recursos financeiros que as pessoas usam para atingir seus objetivos (reservas financeiras disponíveis, fluxos regulares de dinheiro)

Os dados foram coletados em três frentes de trabalho. A primeira delas consistiu no levantamento de dados secundários junto a organismos governamentais, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (DAEE), o Instituto LIDAS, a Secretaria de Educação do Município de São Paulo, a Secretaria de Saúde do Município de São Paulo, as Secretarias de Saúde e Educação do Estado de São Paulo, o Programa de Saúde da Família e o banco de dados do Sistema Único de Saúde (DATASUS).

A segunda das frentes de levantamento de dados teve lugar durante os grupos focais, em reuniões com moradores da região. Os grupos foram assim separados: lideranças de igrejas, representantes de ONGs, lideranças comunitárias, jovens, crianças, pais e mães de alunos.
Por fim, algumas visitas foram feitas ao Distrito do Capão Redondo, de modo a observar o cotidiano de seus moradores e conversar informalmente com as pessoas. Também lançamos mão de dados levantados pela pesquisa sobre as organizações não governamentais atuantes no Capão Redondo, realizada pela Visão Mundial.


5. CONCLUSÕES DA DESCRIÇÃO DE CONTEXTO

DADOS RELEVANTES DA DIMENSÃO NATURAL

§ Mesmo o Capão Redondo sendo uma Zona Mista de Proteção Ambiental a arborização e cuidados com o meio ambiente são quase nulos.
§ Córregos e zonas de proteção ambiental são poluídas com lixo jogado pela população.
§ A densidade demográfica é bastante elevada
§ A taxa de urbanização de 100% torna ainda mais preocupante os cuidados com a dimensão natural. A área de favelas tem proporções elevadas na comunidade.

DADOS RELEVANTES DA DIMENSÃO FÍSICA

1 24% dos moradores habitam em condições precárias (favelas), sem coleta de lixo, com mais de 3 moradores por dormitório.
2 A qualidade do tratamento da água não é boa.
3 A infra-estrutura para abastecimento de água foi construída há muitos anos atrás, e não comporta o número de moradores do bairro nos dias de hoje. Isso faz com que a água seja “cortada” quase todos os fins de semana.
4 20% das casas não possuem esgotamento sanitário
5 O bairro conta com uma estação de metrô e corredores de ônibus, que ligam o bairro ao centro de São Paulo.
6 Grande parte dos moradores deve se deslocar um longo percurso, do bairro até o centro de São Paulo, para trabalhar.

DADOS RELEVANTES DA DIMENSÃO HUMANA

1 O Capão Redondo é o quarto bairro em termos populacionais na faixa de 16 a 19 anos na cidade de São Paulo. Os jovens do sexo masculino, preponderantes até a faixa de 15 anos, passam a ser minoria a partir dos 16 anos.
2 Os jovens encontram-se vulneráveis ao risco social, transgressão e violência
3 A taxa de fecundidade das adolescentes entre 14 a 17 anos é elevada
4 47% da população entre 18 e 19 anos não concluiu o ensino fundamental
5 37% dos alunos do ensino médio estão defasados em relação ao ano/série
6 42% dos chefes de família possuem até 4 anos de estudo formal
7 Somente 3,56% da população do Capão Redondo possuem mais de 15 anos de estudo. A maioria das pessoas estudou em média seis anos e não se encontra qualificada.
8 A pouca qualidade da educação ofertada parece ser um ponto chave para a melhoria da qualidade de vida na comunidade
9 O hospital da região não consegue atender adequadamente às demandas na área de saúde, o número de leitos é insuficiente. As Unidades Básicas de Saúde e o Programa de Saúde da Família vêm sendo elogiados. Ambos poderiam atender maior número de pessoas
10 Existe necessidade de atendimento odontológico e psicológico qualificado. Atualmente a população não tem como recorrer a profissionais dessas áreas
11 A taxa de homicídios, AIDS e acidentes de trânsito entre os jovens mostra a urgência de trabalhar essas questões entre esse público
12 A facilidade do acesso às drogas é outra preocupação bastante relevante entre os entrevistados nos grupos focais
13 Praticamente 1/5 da população do Capão Redondo é considerada como de vulnerabilidade social alta, lembrando que entendemos vulnerabilidade social como um conjunto de fatores que podem ajudar a deteriorar o bem-estar de pessoas, famílias e comunidades.
DADOS RELEVANTES DA DIMENSÃO SOCIAL

1 Já existe um número considerável de organizações e instituições trabalhando no distrito do Campo Limpo, e especificamente, no bairro de Capão Redondo
2 Muitas organizações já foram contatadas e algumas estão dispostas a trabalhar em parceria com a Visão Mundial.
3 Crianças e adolescentes são o público prioritário das ações sociais no Capão Redondo mas seguem sendo a faixa de público que mais preocupa. Tanto as ONGs como o Poder Público precisam desenvolver ações mais eficazes, que alavanquem o capital social local.
4 O funcionamento, nas proximidades do Capão Redondo, do Fórum em Defesa da Vida, que reúne diversas entidades e organizações que mensalmente se articulam para entender a realidade da região, compartilhando problemas e soluções, é um fator positivo para o desenvolvimento da região.
5 O poder público também tem se mobilizado em investir recursos na região, preocupados com os indicadores locais.

DADOS RELEVANTES DA DIMENSÃO FINANCEIRA

1 22,30% dos chefes de família encontram-se desempregados.
2 15% dos chefes de família não tem rendimento algum.
3 A maioria dos jovens está sem trabalho, sem rendimento e sem perspectivas de um emprego formal. Se a situação já é preocupante para os adultos, é ainda mais delicada para os jovens
4 Jovens vêem tráfico de drogas como alternativa à falta de emprego
5 Trabalhadores formalmente registrados, mesmo adultos, são exceção na comunidade
6 As pessoas que trabalham têm, em sua maioria, que se deslocar do Capão Redondo para outras regiões de São Paulo. A comunidade oferece poucas oportunidades para os trabalhadores
7 As mulheres, os não brancos e as pessoas com ensino fundamental incompleto são maioria entre os desempregados e necessitam de programas e projetos específicos que possam dar conta dessa situação de vulnerabilidade

5.1 ANÁLISE DO CONTEXTO

A análise dos dados acima será feita através dos conceitos de aceleradores e desaceleradores do Desenvolvimento Transformador.

O objetivo da Visão Mundial ao iniciar um programa em uma área pobre é o Desenvolvimento Transformador, que se define pelo processo através do qual crianças, famílias e comunidades se movem em direção à plenitude da vida com dignidade, justiça e esperança. O escopo do desenvolvimento transformador inclui os aspectos social, espiritual, econômico, político e ambiental da vida, em níveis local, nacional, regional e global. Este desenvolvimento ele deve ser sustentável, baseado na comunidade e focado na criança:

- SUSTENTÁVEL: “Os programas de desenvolvimento transformador são desenhados com a expectativa de que as mudanças sejam sustentáveis economicamente, socialmente, psicologicamente, espiritualmente e ambientalmente”. “A sustentabilidade implica que pessoas em diferentes níveis, incluindo família, governo, igreja, sociedade civil e outros parceiros, continuamente mantenham, melhores e multipliquem mudanças positivas que são atingidas através do desenvolvimento transformador, sem comprometer o bem-estar das gerações futuras. Sustentabilidade não é sinônimo de auto-suficiência, mas demanda ligações interdependentes e empoderadoras com diferentes parceiros”.

- BASEADO NA COMUNIDADE: “Devido ao fato do desenvolvimento transformador ser responsabilidade das próprias pessoas, ações são tomadas visando o empoderamento da comunidade e de todos os seus membros para que eles sonhem, planejem, implementem, monitorem e avaliem o programa em um relacionamento interdependente com a Visão Mundial, com governos locais, empresas/negócios, igrejas e outras ONGs. A Visão Mundial proporciona apoio técnico, financiamento e supervisão técnica”. “Contudo, esta parceria no nível local deve resultar em um aumento da capacidade da comunidade para estabelecer relacionamentos interdependentes e empoderadores com diversos stakeholders/executores nos níveis nacionais e internacionais para se dirigirem àqueles problemas/questões que afetam as vidas das pessoas no nível local”.

- FOCADO NA CRIANÇA: As crianças são o grupo mais vulnerável em uma comunidade e são os mais afetados pela pobreza. Contudo elas possuem potenciam para serem agentes de transformação de suas famílias e comunidade. A VM considera que o bem estar das crianças é um indicador chave do desenvolvimento comunitário sustentável. Assim, a VM irá investir nas crianças como um meio de combater a pobreza dentro de uma estrutura de sustentabilidade. O foco na criança deve incluir consciência e conformidade com o direito da criança à vida, proteção, provisão e participação. O foco na criança envolve equipar e empoderar famílias e comunidades.
Assim, a partir desta visão sobre desenvolvimento transformador, os dados coletados e descritos acima serão analisados de maneira a levantar quais são os fatores determinantes do contexto do Capão Redondo, ou seja, os fatores que determinam que a realidade do Capão Redondo seja como ela é, e não diferente. Estes fatores serão também analisados em relação a acelerarem ou desacelerarem o desenvolvimento transformador local.
Em seguida teremos um quadro relacionando os fatores determinantes com os aspectos do desenvolvimento transformador sustentável, a saber: sustentável, baseado na comunidade e focado na criança. O objetivo do quadro é indicar como o fator determinante ACELERA ou DESACELERA os três aspectos do desenvolvimento transformador. Em alguns casos, o fator determinante pode ser neutro, ou seja, não ser desacelerador nem acelerador (representado no quadro abaixo por um traço).

5.2 FATORES DETERMINANTES E SUA RELAÇÃO COM O DESENVOLVIMENTO TRANSFORMADOR

1. QUALIDADE AMBIENTAL URBANA DEFICIENTE

A qualidade da água e o esgotamento sanitário, assim como a coleta de lixo em áreas favelizadas do Capão Redondo são elementos que tem colaborado para a deterioração da qualidade ambiental urbana. A qualidade das moradias igualmente desfavorece uma vida equilibrada, colaborando inclusive para a deterioração das relações pessoais. Apesar de existir áreas de mananciais no bairro, lixo é jogado nos córregos, e áreas de mananciais são ocupadas por favelas.

II. VULNERABILIDADE INFANTO-JUVENIL

Crianças e jovens são, segundo apontam dados diversos desse diagnóstico, as faixas de público mais fragilizadas do Capão Redondo. Em que pese algumas iniciativas de projetos governamentais e não governamentais os dados e depoimentos mostram que a vulnerabilidade dessa faixa de público ainda é um determinante e expressivo para o não desenvolvimento transformador da região. Diversos são os indicadores desta vulnerabilidade, no caso dos jovens: gravidez na adolescência, drogadicção, alta taxa de mortalidade por homicídios, falta de perspectivas de inserção no mercado de trabalho. No caso das crianças os principais indicadores de vulnerabilidade são:
- Desenvolvimento em ambiente familiar não propício á maturação integral de diversas potencialidades humanas, devido tanto às condições sócio-econômicas como à dinâmica familiar e comunitária que essas condições engendram
- Moradias inadequadas, em ambiente não salutar e com pouco espaço e tempo destinados ao lazer
- Exposição à violência e ao consumo de drogas em espaços públicos
- Baixa qualidade do ensino público
- Alto número de crianças de zero a quatro anos nas famílias mais vulneráveis

III. DESCOMPASSO ENTRE INVESTIMENTO PÚBLICO E CRESCIMENTO DA POPULAÇÃO

A pressão populacional, derivada da migração de brasileiros vindos do interior de São Paulo, de outras regiões do país, como também de paulistanos que saem do centro em busca de moradia mais barata, não é acompanhada pelo investimento público na região, o que provoca uma demanda excessiva por ações, projetos e programas. As infra-estruturas de saneamento, de educação, de saúde e de transporte são insuficientes para atender toda a população, pouco abrangentes, por não oferecem todos os tipos de atendimentos necessários e de má qualidade.

IV. DESCOMPASSO ENTRE QUALIFICAÇÃO EDUCACIONAL E EXIGÊNCIAS DO MERCADO DE TRABALHO

O nível educacional e a qualificação profissional são bastante baixos na região de abrangência desse novo PDA. Isso, ao lado de um mercado de trabalho restritivo devido a fatores macro-econômicos, torna a inserção dos moradores no mercado de trabalho algo extremamente frágil. Aqueles que conseguem algum serviço o fazem temporariamente ou precariamente, na maioria das vezes, o que contribui para a baixa renda das famílias do Capão.

V. ARTICULAÇÃO ENTRE AS ORGANIZAÇÕES ATUANTES NA REGIÃO

O Fórum em Defesa da Vida é um bom exemplo do quanto as organizações governamentais e não governamentais têm procurado trabalhar conjuntamente em prol do desenvolvimento comunitário. A diminuição do índice de violência na região é um dos indicadores de que a preocupação com a pesquisa que colocava o Capão Redondo como a região mais violenta do mundo se transformou numa série de ações integradas que resultou de fato em algo que tem um potencial de sustentabilidade no qual se deve investir.

VI. GRANDE VISIBILIDADE DO BAIRRO
A pesquisa realizada pela ONU em meados dos anos 90, que categorizou o bairro como um dos mais violentos do mundo deu imensa visibilidade ao Capão Redondo. E rendeu ao bairro um maior investimento público na área, principalmente com maior policiamento e também atraiu várias ONGs e projetos sociais. Esta visibilidade ainda existe hoje e pode ser usada em prol do desenvolvimentos de projetos na região, bem como para levantamento de fundos.

VII. PROXIMIDADE AO MAIOR CENTRO DE CONSUMO DA AMÉRICA LATINA

Esse é um fator que tem variáveis bastante distintas: uma delas é que a proximidade com o maior centro consumidor do país faz do Capão Redondo uma região perigosamente informada sobre o que há de mais moderno em termos de artefatos de consumo. Outra variável, oposta a essa, é que a facilidade de deslocamento torna possíveis os trabalhos desenvolvidos por organizações externas. Outra, ainda, é que o fator deslocamento não é impeditivo, por exemplo, da chegada dos trabalhadores a fábricas, centros de comércio ou quaisquer locais de trabalho.



7.3Ênfases do Programa

Os dados aqui coletados ainda serão aprofundados junto à comunidade e à agência parceira durante a fase de desenho, mas as informações até aqui coletadas mostram que a ênfase em um programa focado nas questões que mais afetam crianças e jovens poderia deixar como legado para a comunidade elementos imprescindíveis para se chegar ao almejado desenvolvimento transformador. Tanto em termos da gravidade das questões como das possibilidades de um trabalho sério e integrado com essa faixa de público, recomendamos priorizar aspectos que têm vulnerabilizado e tornado mais difícil a vida de crianças e jovens do Capão Redondo. Assim, seguem algumas recomendações para ênfases do programa de desenvolvimento que será implantado na área, lembrando que elas são recomendações que poderão ser aceitas ou não pelos parceiros locais e pela Visão Mundial durante o processo de desenho. Elas seguem listadas abaixo e NÃO ESTÃO HIERARQUIZADAS em nível de importância:

- Ações como conscientização sobre planejamento familiar, gravidez na adolescência, sobre álcool e drogas, bem como abordagens culturais e de apoio à profissionalização dos jovens poderão contribuir para a melhoria de vida deste público que é mais vulnerável, diminuindo a incidência de drogadição, gravidez na adolescência e morte por agressão. Abordagens de construção para a paz também poderão ser utilizadas.

- Em segundo lugar mas não menos importante, visto que afeta também a vida de crianças e jovens, deve-se encontrar formas adequadas de aumentar o ingresso de recursos financeiros entre as famílias da região. Isso poderia incluir maneiras de fomentar as pequenas iniciativas locais, bem como a sua comercialização, entre outros. As oportunidades de trabalho têm se mostrado escassas e pouco rendosas e, combinadas com o baixo grau de escolaridade e a qualidade deficitária de ensino na região, apontam para um quadro de poucas perspectivas em curto prazo para a reversão do quadro de escassez de recursos financeiros para as famílias da região.

- Em terceiro lugar, tendo em vista a visibilidade do bairro na cidade de São Paulo e também no país, bem como o fato da classe média e alta de São Paulo sofrer os eventos da desigualdade social da cidade através da violência urbana, recomenda-se que o PDA possa encontrar maneiras de conscientizar e estimular as empresas e também indivíduos dos bairros vizinhos e mais ricos a contribuírem para a diminuição da desigualdade e da violência urbana na cidade de São Paulo, ao apoiarem os projetos e programas sociais no bairro do Capão. Isso pode incluir desde apoio financeiro, até facilitação de acesso a mercado, apoio na formação e qualificação profissional dos moradores do bairro, entre outros.

- Uma outra recomendação muito importante fruto deste diagnóstico é que haja grande investimento no fortalecimento institucional das organizações locais e que o programa fomente o trabalho integrado entre os fóruns locais. Acreditamos que este fortalecimento e o trabalho conjunto e a articulação entre as organizações e fóruns locais seja imprescindível para o sucesso do PDA.

- Também se recomenda que o programa invista em ações de empoderamento e advocacy, apoiando a comunidade local a reivindicar junto ao poder público os seus direitos, como saneamento, melhores moradias, escolas de educação infantil e creches, e um maior número de leitos de hospital. Estas ações podem ser muito bem sucedidas, levando em conta também a existência de várias organizações que já atuam na área e da existente articulação entre elas, como por exemplo, o Fórum em Defesa da Vida.

- O critério para a escolha da área onde o PDA irá trabalhar dentro do bairro do Capão Redondo seguirá dois padrões. Um relacionado à ações de impacto político, que deverá atingir todo o bairro, já que serão ações de advocacy e de articulação entre as organizações que atuam no bairro. Esta área será determinada a partir da escolha das organizações parceiras e da inserção do PDA nos fóruns de articulação política e de advocacy. Um outro padrão de escolha da área de atuação do PDA está relacionado às micro-ações do programa, com atividades de educação e saúde que afetam diretamente as crianças apadrinhadas e suas famílias. Esta escolha seguirá pelo menos um dos seguintes critérios: famílias que vivem nos locais mais pobres do bairro, onde vivem um número grande de pessoas em pequenas casas; casas onde haja analfabetos ou alfabetizados funcionais; casas onde o responsável não trabalhe ou tenha rendimentos abaixo de R$ 538,00; casas onde o responsável seja mais jovem; casas onde haja mais crianças.





Observação:
O Documento completo pode ser solicitado por todos os participantes da Fase de Diagnóstico e Desenho, através do e-mail: raniere_pontes@wvi.org com uma justificativa de utilização das informações presentes nesse documento.

DOC: SÍNTESE DA POLÍTICA UOPE SÃO PAULO (DRAFT)

SÍNTESE DA UOPE SÃO PAULO

(DRAFT)

  1. UOPE - Unidade de Operações de São Paulo.

As atividades dessa UOPE para o AF08 estarão concentradas principalmente no que compete a fase de Desenho do PDA Sampa Sul. Durante esse período (2º e 3º Trimestre do AF/2008 dar-se-á o registro de 500 crianças para o patrocínio internacional). Além disso, trabalhamos para a implantação do Projeto Especial do Centro de Educação Popular – PDA Leste, e da Cooperafloresta – ADP Vale do Ribeira, ambos encerraram convênio no último ano fiscal, porém continuam com ações pontuais de projetos especiais. O detalhamento dos dados a seguir será específico da área do PDA Sampa Sul, no qual focaremos nossas ações, que poderão ser alteradas, pois estamos na fase de Desenho desse PDA.

2. Delimitação do território

A área de atuação do Sampa Sul será a da zona sul de São Paulo, respectivamente nos distritos de Jd. Ângela, Campo Limpo, Jd. São Luiz e Capão Redondo. Esse último será a área prioritária de intervenção com foco na infância, adolescência e juventude.

O Capão Redondo possui uma área de 1.360 hectares, e tem como limites político-administrativos o Distrito de Campo Limpo, ao norte; o Jardim Ângela, ao sul; Jardim São Luiz, a Leste; e a Oeste, o Município de Embu.

Sua população absoluta, segundo a subprefeitura de Campo Limpo é de 240,793. Desse número consta que 10% são de jovens.

Capão Redondo se encontra com algumas questões muito relevantes que se destacam ao pensarmos em melhorias na qualidade de vida da sua população. Podemos destacar, sistema de saneamento básico ainda precário; falta de equipamentos de educação e complementação escolar para as crianças (0 a 6 anos), principalmente creches; o fenômeno da violência agravado entre a juventude, tem como um dos seus fatores a ausência de espaços de lazer, recreação e cultura[1].

3. Principais problemas do território:

a) Setoriais: a partir do diagnóstico realizado, foi possível observar que as questões mais que merecem especial destaque referem-se à

iii. INFÂNCIA: “As crianças são educadas muitas vezes ou pela rua ou pela televisão”[2]. A educação infantil nessa região está desprovida de aparelhos em número suficiente para atender a demanda local. As crianças não são envolvidas e nem ouvidas durante os processos de tomada de decisão sobre as atividades que vão freqüentar.

iv. ADOLESCENCIA: os adolescentes não têm local adequado para atividades de lazer, esporte e cultura, recorrem ao único espaço – a quadra das escolas - que são forçados a dividir com outros grupos. Poucos adolescentes são atendidos pelas organizações locais e essas são vulneráveis a existência de orçamento para manutenção das atividades.

v. JUVENTUDE: A juventude local é completamente desprovida de oportunidades relacionadas a espaços de lazer, esporte e cultura. Uma parte considerável da juventude local está envolvida com o movimento de Hip-Hop, esses grupos de jovens em sua maioria não são formalmente organizados, porém alguns deles estão diretamente envolvidos com outras organizações locais. Recai ainda sobre a juventude a questão da ausência de uma formação qualificada para o mercado de trabalho e de outro lado não existe oportunidades de emprego na região. Esse fenômeno mexe com as estatísticas locais, pois relacionado a população local, tem um decréscimo de jovens do sexo masculino entre 16 e 19 anos, inicialmente duas hipóteses podem ser levantadas, ou saem da região em busca de melhores condições de vida e emprego ou são vitimas da violência local, provocada pelo trafico de drogas.

vi. EDUCAÇÃO Pública: a educação pública é, segundo a população, precária e insuficiente, principalmente referente a educação infantil (0 a 6 anos). De outro lado temos o pouco envolvimento das escolas – municipais ou estaduais – nas questões e discussões comunitárias, tornando-se “ilhas” dentro da comunidade. Questões relacionadas ao pouco investimento público na educação também são apontados como relevantes nesse tópico. Segundo, uma organização ambientalista local, é preciso inserir – com urgência – conteúdos sobre educação ambiental e faz-se necessário capacitar os educadores locais.

vii. VIOLÊNCIA URBANA: A questão da violência também é muito forte e presente em diferentes espaços – escolas, nas ruas, nas festas da comunidade e estão diretamente ligados ao tráfico de drogas, que comanda o crime local, e para tal usa da mão de obra de crianças, adolescentes e jovens. Numa análise superficial, essa situação é decorrente da falta investimento em Educação e ausência de oportunidades de empregos.

viii. VIOLÊNCIA DOMESTICA: duas organizações locais organizam esse “grito” de denuncia sobre a violência doméstica contra mulheres e crianças. Esse fenômeno é complexo e para o enfrentamento do mesmo é preciso propor uma séria de ações integradas (mapear, identificar e capacitar – via um protocolo único - os agentes dos serviços locais que atendem essas vitimas) e interligadas entre os diferentes setores da sociedade local desde escola, delegacia, posta de saúde, hospital e redes de apoio.

ix. DESEMPREGO: é relevante a presença de economia informal e do subemprego na região. A questão da ausência de qualificação, oportunidades e investimento por parte do setor privado na região é alarmante, obrigando os moradores a atravessar a cidade em busca de emprego. Esse fenômeno sobrecarrega o transporte público da região que não atende a demanda local.

x. SANEAMENTO BÁSICO: Insuficiente onde está presente e inexistente em grandes partes da comunidade, o saneamento básico é outro problema que merece destaque entre os problemas enfrentados pela comunidade local. Ao andar pela comunidade é fácil observar o despeço de esgoto doméstico nos córregos locais. Barracos sob palafitas, em sua maioria, contribuem com a poluição dos córregos, que em se tratando de uma área de mananciais agrava os problemas relacionados ao meio ambiente.

b) Políticos:

i. Nesse ponto temos duas percepções: de um lado de que existe um relevante investimento público na região de outro pouca aproximação do poder público junto com a comunidade para discussão sobre esses investimentos.

ii. Fóruns Locais. A sociedade civil local, conta com dois espaços de discussão – que se reúnem mensalmente – que são liderados pelas organizações locais, o FOS e o FDV. O CDHEP[3] promove uma vez ao mês o encontro do Fórum das Organizações Sociais [FOS] de Campo Limpo e Jd. Ângela. Esse espaço possibilita a discussão e organização das entidades frente às mudanças de conjuntura que enfrentam, também junto ao poder público. O espaço é aberto para a participação de representantes das subprefeituras (Campo Limpo e M´Boi Mirim), que na maioria das vezes comparecem quando são convidados para discutir algum tema específico. Apesar do número de organizações que participam desse espaço, ainda é um número pequeno frente à quantidade de entidades que atuam nessa região. Assim sendo, forja-se um dos grandes desafios para a região, especificamente para este fórum: seu fortalecimento e maior abrangência através da ampliação do número de participantes. Outro Fórum que animado também pelo CDHEP está presente na região há mais de 12 anos é o Fórum em Defesa da Vida [FDV], que já congregou ao longo desses anos, mais de 250 (duzentos e cinqüenta) organizações discutindo sobre que questão de segurança pública e a Cultura de Paz. Grandes conquistas foram alcançadas por esse espaço, dentre elas o CIC (Centro Integrados de Cidadania), instalação de pontos de apoio da polícia, fortalecimento da presença da policia metropolitana na região, dentre outros. Esse também é um espaço de muito interesse da UOPE SP, e que poderemos em curto tempo influenciar e colaborar com o fortalecimento das ações. A participação é significativa, contando com plenárias com até 70 (setenta) pessoas, sempre com a presença de diversas organizações locais, que estão diretamente relacionadas ao tema principal e também relevante presença da polícia e na maioria das vezes do poder público local.

4. Principais estratégias de resposta:

4.1 Programáticas

4.1.1 Formação Sócio Política: fortalecimento e capacitação

- Promover ações de formação e capacitação para as organizações sociais no temas relacionados às políticas públicas: educação, saúde, habitação, outras.

- Formar um grupo de adolescentes/jovens para monitoramento das políticas públicas (CBPM).

- Formar um grupo de mulheres e jovens para participação e influência no Orçamento Participativo.

- Implementar um programa contínuo de formação sócio-política para qualificação da participação de adolescentes/jovens nas discussões sobre políticas públicas voltadas para esse grupo.

- Estimular a participação das organizações do Capão Redondo no Fórum de Defesa da Vida, como forma de fortalecer a relação com as demais entidades na luta pelos direitos.

- Estimular a participação das organizações do Capão Redondo no Fórum das Organizações Sociais da Zona Sul, como forma de fortalecer a discussão sobre a política de atendimento a Criança e o Adolescente.

- Fomentar a discussão e reflexão sobre direitos com os usuários (beneficiários) dos projetos e programas, a fim de instrumentalizar as pessoas para a resolução coletiva dos problemas assim como: o não atendimento adequado nos equipamentos de educação e saúde, bem como, a legitimação de instrumentos legais de participação na gestão dos serviços como, por exemplo, os conselhos gestores da escola.

4.1.2 Educação: da educação infantil a política de lazer, esporte e cultura para adolescentes e jovens

- Fortalecer os espaços de discussão sobre a política pública de educação, em especial a atenção a educação infantil.

- Promover um relevante processo metodológico que leve em conta a participação de crianças – adolescentes – jovens no processo de construção de alternativas para melhoramento das condições de vida local.

- Implementar um programa continuado de formação para os educadores-sociais, fortalecendo e ampliando os conhecimentos e melhorando suas habilidades pedagógicas.

- Identificar e mapear os pontos de expressão cultural existentes na região, oficiais ou não. Potencializar sua capacidade de abrangência pela divulgação e qualificação destes espaços (teórica e fisicamente).

- Potencializar a criação de espaços públicos e fortalecer os privados para realização de atividades culturais e de lazer para adolescentes e jovens.

4.1.3 Saúde: da prevenção a reivindicação política

- Promover junto aos parceiros locais, um amplo serviço de formação e informação sobre a problemática de saúde, principalmente relacionado ao tema de DST-HIV-AIDS.

- Fortalecimento dos espaços de discussão das políticas públicas de saúde;

- Participação da mobilização popular para reivindicação do Hospital Público Local.

- Promover a sistematização dos treinamentos sobre as temáticas relacionadas à saúde do adolescente e jovem em cadernos de educação popular para distribuição junto a população local.

4.1.4 Cultura de Paz: da teorização a ação

- Fortalecer e influenciar os espaços de discussão sobre as políticas de segurança pública e política de paz.

- Fortalecer o trabalho dos grupos de adolescentes e jovens presentes na região, congregando-os em uma rede articulada, não institucionalizada e fluída, para ampliação da voz desses grupos.

- Promover a sistematização das atuais práticas em cadernos de educação popular para distribuição junto a população local.

4.1.5 Formação de Gestores Sociais: aprimoramento a capacidade de gestão das organizações parceiras:

- Implantar um programa de formação contínua e sistemática para a formação e fortalecimento das organizações parceiras, por meio da metodologia: ESCOLA MOSAICO.

4.2 Gestão

- Formação de conselhos em diferentes níveis de influência e interação com o PDA Sampa Sul.

Instância

Interação

Composição

Conselho Executivo

Execução

Organizações que executam os projetos

Conselho Deliberativo

Execução/Influência Política

Organizações que influenciam o planejamento e executam ou não alguns projetos

Conselho Consultivo

Influência Política

Organizações que somente influenciam politicamente a proposta avaliam e monitoram as ações do PDA.

- Organizar a criação de Grupos de Trabalho por temas que tratem das demandas identificadas.

- Formar uma comissão de organizações que se responsabilizem pela articulação das reuniões e ações que estiverem sendo desenvolvidas

- Garantir um sistema de consulta e participação dos usuários de forma que sua opinião e demanda seja prioridade no direcionamento das tendências de trabalho das organizações, ao menos envolvidas neste grupo.

4.3 Parceiros

- Fortalecimento dos fóruns de discussão e debate da região;

- Horizontalidade nas relações de parceria entre as organizações, a fim de que todos se sintam realmente parte de uma construção;

- Propiciar um canal aberto e de fluxo rápido com o poder público acerca das demandas da região com as organizações;

- Fortalecimento do segmento da criança e adolescente enquanto primazia de atendimento e de alocação de recursos para projetos.

4.4 Principais tipos e fontes de financiamento

Acreditamos que as principais fontes de financiamento serão:

- Apadrinhamento crianças – WV Austrália;

- Apadrinhamento crianças – VM Brasil;

- Apadrinhamento Adolescentes/Jovens – VMB + Parceiros Privados;

- Parcerias com empresas/empresários;

- Major Donnors

- Governo (subprefeitura de Campo Limpo e M´Boi Mirim e cidade);

- Outras Organizações que atuam na macro e micro região;

4.5 Outros comentários:

- Essa sintese é um trabalho inicial realizado pela equipe da Uope SP e é passível de qualquer modificação que for necessária para clarificar as intencionalidades e obejtivos da atuação política local. Acreditamos que ela teria maior propriedade e profundidade se pudesse ser socializada com os parceiros locais.

1ª versão 06 de novembro de 2007

2ª versão 03 de dezembro de 2007.



[1] Dados são explorados no documento: Diagnóstico do Capão Redondo.

[2] Essa fala surgiu de uma educadora-social, durante uma visita a comunidade.

[3] Centro de Direitos Humanos e Educação Popular de Campo Limpo

REFLEXÃO: "Primeiras Pistas - O que vem se revelando"

"Primeiras Pistas - O que vem se revelando"

Composição do Território da UOPE SP:

Território composto delimitado pelos seguintes distritos da Zona Sul:
► Capão Redondo
► Jardim Ângela
► Jardim São Luiz
► Campo Limpo
► Vila Andrade

Aos trabalhos da UOPE SP, estarão contemplados os trabalhos do Projeto Especial que será implantado do AF/2008 ao AF 2010, em Ermelino Matarazzo com a Agência Centro de Educação Popular, compreendido na área geográfica da Zona Leste, no Bairro de Ermelino Matarazzo.

Caracterização Geral do Território:
Esses distritos estão compreendidos na jurisdição administrativa das subprefeituras do Campo Limpo e M´Boi Mirim.
Essa é a região de mananciais, responsável em grande parte pelo abastecimento da água potável da cidade de São Paulo, abriga a represa do Guarapiranga, uma das duas maiores represas da cidade., possui aproximadamente 2,5 milhões de habitantes. É nessa região onde estão os dois bairros que foram considerados pela ONU os mais violentos da cidade (Jd Ângela e Capão Redondo).
A região ainda conta com um sistema de saneamento básico precário; um descaso do governo com a educação infantil; um volume crescente de favelas; e o fenômeno da violência é agravado entre a juventude, tendo com um dos seus fatores a ausência de espaços de lazer, recreação e cultura.

Passos Institucionais:
Realizados uma série de eventos ao longo dos últimos dois anos, para conhecer as organizações e a liderança comunitária que atuam nessa região.
► Realizamos 4 encontros com as organizações participantes dos Elos Sul e Sudoeste da Rede Corrente Viva, para apresentar a Visão Mundial, nossa metodologia e proposta de atuação na região. Essas organizações, atuaram num primeiro momento, como consultoras nos orientando no processo de como devíamos nos aproximar do trabalho que é realizado na região.
► Paralelo a esse momento, encomendamos uma pesquisa que levantou o perfil das organizações sociais que atuam na área delimitada pela VM, foram levantadas aproximadamente 250 organizações e uma breve análise foi realizada com 87 organizações que estavam dentro do perfil de atuação da Visão Mundial.
► Ao olharmos para essa pesquisa, levantamos algumas organizações e realizamos visitas de campo e uma série de reuniões para apresentar a VM e a nossa proposta de atuação na região.
► O passo atual foi à realização de um processo de diagnóstico que consistiu no levantamento de dados secundários (dados estatísticos da região) e em seguida realizamos outra série de reuniões com apoio da metodologia de grupo focal com diferentes públicos desse local: grupo de líderes de organizações, líderes das igrejas, grupo de mães, grupo de jovens, grupo de crianças, representantes das escolas e do governo da subprefeitura local.



Próximos Passos:
► Conclusão do documento de DIAGNÓSTICO e envio para o financiador: World Vision Austrália: Agosto/07.
► Elaboração de uma versão popular para realizar uma devolutiva aos participantes de todos os processos: Setembro/07;
► Início do processo de Desenho: Outubro/07 à Setembro/08
► Início das inscrições das crianças: Março/08
► Implantação do PDA: Outubro/08

Processo de Construção: primeiras pistas
Na medida em que vamos construindo o documento de diagnóstico e que, vamos nos apropriando da realidade local, temos a impressão inicial de que algumas oportunidades de trabalho serão apontadas no relatório final do diagnóstico e que servirão de elemento fundamental para a fase de desenho da proposta do PDA:

Alguns eixos que estão se revelando ao longo do processo:
► Desenvolvimento Infantil: fortalecimento das ações de atenção primária a infância, focadas na área de Nutrição (Saúde) e Educação Infantil;
► Protagonismo Juvenil: fortalecimento de projetos inovadores na região que trabalham com a juventude com o objetivo de fortalecer a liderança juvenil local;
► Acesso ao Mundo de Trabalho: aprimoramento das ações e implantação de novas ações, visando à formação técnica de jovens para o mundo do trabalho. Paralelo um estudo de oferta e demanda de oportunidades de empregos para jovens na região.
► Questão de Gênero: apoiar a discussão e ações contextualizadas na temática de gênero.
► Desenvolvimento Econômico: algumas organizações locais já desenvolvem ações dentro dessa área, porém é necessário integrá-las em uma rede de tendo como princípio o comércio solidário.
► Cultura de Paz: Apoio às organizações e movimentos sociais que promovem ações que tem por objetivo divulgar amplamente uma Cultura de Paz nos espaços da comunidade.
► Atuação Voluntariado: temos percebido relevante espaço para organização sistemática de trabalhos voluntários junto às organizações locais. Tanto capacitação dos atuais, quando a possibilidade atividades pontuais ou projetos de voluntariado.
► Multi-Financiamento: a região tem uma vocação favorável, dado sua localização, para pensarmos numa proposta ampla que seja financiada por multi financiamento, mobilizando recursos em empresas ao redor da região, grandes doadores interessados na área, outras organizações do terceiro setor, governo local e a própria comunidade, tendo essa como contra-partida inicial os espaços físicos e o know-how de conhecimento da realidade do bairro.

Estrutura do PDA 1: Trabalho em Rede
► A proposta de atuação em São Paulo, na implementação de um novo PDA no contexto urbano terá o desafio de não parecer com um consórcio de organizações e financiamentos pontuais, mas num trabalho definido em Rede que implique diretamente nas políticas de atuações de todos as organizações que participarão dessa rede. De forma simples, se pensarmos que teremos várias organizações que trabalham com a área estratégica de Educação Infantil, teremos então para essa rede uma política onde constarão os valores e princípios relacionados a essa área temática de tal forma, que o que uma organização realiza de atividade implica diretamente ou tem efeito, no que as outras também fazem e vice-versa.


Estrutura do PDA 2: Organizações Chaves
Ao longo dessa caminhada estamos estabelecendo contatos e firmando parcerias pontuais com algumas organizações chaves em cada um dos bairros:

Bairro Público / Ação
Capão Redondo Crianças e Adolescentes
Educação Complementar
Jardim Ângela Adolescentes/ Mulheres
Protagonismo e Gênero
Jardim São Luiz Adolescentes e Jovens
Campo Limpo Jovens e Família
Mobilização Comunitária
Vila Andrade Crianças e Adolescentes
Atividades Recreativas

Outras 10 organizações participaram do processo de sensibilização e também estão sensíveis às possibilidades de pensarmos uma proposta de intervenção conjunta.

São Paulo/SP, 03 de Agosto de 2007.